Revisão da História do Pioneirismo da Imigração Alemã em Santa Catarina pelo Resgate da Memória da Colonização Alemã na Região do Contestado

1ª  edição: Caçador: UnC / Museu do Contestado, 2004.  60 p.

2ª  edição: ISBN 978-85-909605-4-6 Caçador: Clube de Autores, 2009. 68 p.

A primeira colônia germânica do Estado de Santa Catarina foi instalada no Município de Mafra, na Região do Contestado, em 6 de fevereiro de 1829, constituída por famílias de imigrantes alemães trazidos sob os auspícios do Governo Imperial do Brasil e do Governo da Província de São Paulo. Esta afirmação de Nilson Thomé – que inclui a “Colônia Rio Negro” na História catarinense – contrasta com o conhecimento difundido de que o pioneirismo da colonização alemã em Santa Catarina aconteceu no Litoral, em São Pedro de Alcântara, em 1º de março de 1829. O trabalho não tem a pretensão de descrever ou narrar a epopéia da imigração e da colonização alemã no Sul do Brasil, especificamente no Estado de Santa Catarina, nos séculos XIX e XX, história sobejamente explorada por diversos estudiosos especializados, que têm publicado interessantes versões sobre o fenômeno. Trata, inicialmente, do pioneirismo da imigração alemã na antiga “Capela Curada do Caminho do Sul”, na localidade de São Lourenço, ao Sul do Rio Negro e ao Norte da Serra do Espigão, quando a área ainda pertencia à Província de São Paulo, um acontecimento importantíssimo que consta na História do Paraná como sendo no Município de Rio Negro, terra atualmente “barriga-verde”, do Município de Mafra. Num segundo momento, o ensaio aborda a expansão desta colonização alemã nas terras das margens esquerdas dos rios Negro e Iguaçu, bem como a ampliação da colonização em outras partes da Região do Contestado. O terceiro momento apresenta a colonização alemã, comum ao Paraná e a Santa Catarina, como um marco histórico da Região do Contestado, antes paranaense e, agora, catarinense. A significativa presença de milhares de imigrantes alemães e de teuto-brasileiros, na parte Setentrional-Oriental da Região do Contestado, tem sido desprezada pela História “oficial” de Santa Catarina, como se esta colonização interiorana, meio-oestina, fosse sem grandeza ou de categoria inferior à litorânea barriga-verde, onde só ali (o pioneirismo é atribuído à São Pedro de Alcântara) se destaca o processo inicial de colonização germânica na historiografia catarinense. Thomé não pretende que este marco da ocupação do solo paranaense – em Rio Negro – seja retirado da História do Paraná. Quer, isto sim, que, simultaneamente, seja incorporado à História de Santa Catarina, uma vez que, em 1917, depois do “Acordo de Limites”, este Estado anexou a área da colonização pioneira, em São Lourenço, onde criou o Município de Mafra.